domingo, novembro 21, 2004

CÁRCERE

[Adolfo Luxúria Canibal / Vasco Vaz]
As noites de solidão sob as estrelas No vazio do teu quartoA casa encaixotada O soalho E as horríveis linhas paralelas até à paredeO nada absoluto Que te faz vomitar e te torturaNessa letargia de junkie sem tempo Fora do tempoTudo por um grama de póNão era isto a revoluçãoNão era esta a liberdade lisérgica que te estava prometidaE as cinzas vermelhas dos teus olhos Em contrabando de afectosSentindo o vácuo E o medo de não ter a merda do pó De acordar sem a merda do póOs músculos rígidos O poderoso nó no estômago Que te faz saltar as tripasO medo de não poderes fugir de ti De não conseguires esquecer esse corpoTudo por um grama de póNão era isto a revoluçãoNão era esta a liberdade lisérgica que te estava prometidaEsse corpo que já não serve para nada Retalhado na sua cosmogoniaQue te tortura na sua inactividade Que te prende agora ao quotidiano metálico da prisãoMorto nos odores da humidade Dejecto pútrido EspermaEm valsas sonhadas no ressonar da noite de cimento que te envolve